

A Máquina que costurava históriasComprei uma base de máquina de costura bem antiga. Tinha intenção de fazer alguma coisa com ela. Um gabinete de banheiro, pensei. Por um bom tempo ela ficou ali perto da churrasqueira com um tampo de mármore servindo para colocar a cuia e a térmica. Agora porém, resolvi dar um destino para ela definitivo: ela será uma base para minha mesa de vidro. Comprei tinta branca disposta a dar-lhe uma boa pintura. Com a tinta nas mãos, fiquei ali, parada olhando para o pedal e pensei: - Quantas vezes este pedal foi pressionado por dois pés cansados? - O que será que ela costurava? - Um vestido de festa feito as pressas para uma menina que cresceu? - Uma bombacha para um homem que ia para o campo? A imagem de uma senhora, pedalando, a agulha subindo e descendo, ela segurando e puxando o tecido, foi se formando na minha mente. - Teria algum dia chorado, enquanto costurava? - Teria sorrido? - Cantado? - O que esta base de máquina testemunhou? - Só ela sabe. E guardou estes segredos para sempre. E decidida passei a pintar. A tinta branca foi se espalhando luminosa dando-lhe nova roupagem. Pensei: -Eu estou te aposentando do trabalho para o qual foste criada. Agora serás uma elegante base para nossa mesa. Minha e da Laura. Será testemunha de nossas refeições, nossas conversas, nossos sorrisos, nossa alegria. Participará de nossas festinhas, de conversas com as visitas, servirá de apoio para taças de vinho e copos de cerveja. Terá uma linda posição e não precisa trabalhar mais. Basta ficar ali, bem quietinha, segurando um belo tampo de vidro com um lindo vaso de flores. E talvez, de vez em quando, enquanto ouvir nossas conversas e nossas risadas, possas lembrar dos pés que um dia fizeram teu pedal subir e descer. E pensando bem, te darei uma função: -A de que agora vais costurar histórias de uma família ao redor de uma mesa.
Lu Ar
Enviado por Lu Ar em 02/09/2026
Alterado em 03/09/2026 Comentários
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