

A primeira flor Logo que vim morar no sítio, fui visitar o horto. Caminhei entre as plantas, curiosa. Havia uma infinidade de verdes e flores. Apaixonei-me por todas, mas uma árvore enorme, coberta de flores brancas, roubou meu coração. Havia tantas flores nos galhos quanto no chão. Eu acho isso lindo. Tem gente que chama as flores caídas de sujeira. Eu chamo de beleza. Perguntei o nome da árvore. — Camélia. Na mesma hora lembrei da música que meu pai cantava para nós. Era desafinado, mas eu gostava mesmo assim. "Ó jardineira, por que estás tão triste? Mas o que foi que te aconteceu? Foi a camélia que caiu do galho, Deu dois suspiros e depois morreu..." Pedi uma muda. Plantei com todo cuidado. Achei que cresceria depressa. Mas ela parecia permanecer do mesmo tamanho, ano após ano. Todos os anos se enchia de botões. Todos os anos eu cantava a música para ela. Pois é... Eu canto. Ainda bem que ninguém vê. Senão, eu passaria por louca. Mas os botões nunca abriam. Caíam no chão. Até que hoje, voltando do centro, tive uma surpresa. Minha camélia estava com uma flor. Rosa. O mau tempo a havia maltratado um pouco, mas, para mim, ela estava perfeita. Naquele instante, entendi que ela sempre soube florescer. Só estava esperando o seu tempo. Agora consigo imaginar minha pequena camélia coberta de flores cor-de-rosa. Exatamente como sonhei desde o dia em que a plantei. Lu Ar
Enviado por Lu Ar em 21/07/2026
Alterado em 22/07/2026 Comentários
|