

A dignidade de Laura
Laura aprendeu a fazer xixi no vaso aos cinco anos.
Quando ela tinha dois, comprei um penico musical, colorido, lindo. Fiz de tudo para que aprendesse ali. Não consegui. Aos cinco anos, foi direto para o vaso sanitário. À noite, porém, continuava usando fraldas. Até os nove anos. Nessa idade, Laura já media 1,55 metro e tinha corpo de adolescente. A puberdade havia começado muito cedo, aos cinco anos. Um dia, enquanto eu colocava a fralda, ela cobriu os olhos com as mãos. Naquele instante, entendi. Ela sentia vergonha. Estava exposta. Prometi a mim mesma que nunca mais ela usaria fraldas. Naquela mesma noite comecei um novo ritual. Levava Laura ao banheiro à meia-noite, às três e às seis da manhã. Todas as noites. Eu vivia cansada. Contei ao neurologista o que estava fazendo. Ele perguntou: — Ela vai acordada ou meio dormindo? Respondi que ia quase dormindo. Então ele disse: — Assim ela não vai aprender. O cérebro precisa estar acordado. Ele estava certo. Eu sabia disso. Tinha estudado Psicologia e conhecia a explicação. Mas continuei. Talvez porque, às vezes, uma mãe também aprende a confiar naquilo que vê todos os dias. Até que, certa manhã, antes das seis horas, acordei para chamá-la. Laura já estava caminhando sozinha para o banheiro. Naquele momento, eu soube. Ela tinha conseguido. Depois passou a levantar também às três da manhã. Durante muitos anos, bastava que eu a levasse apenas à meia-noite. Mais tarde vieram a insônia e o sonífero. O remédio faz Laura dormir tão profundamente que ela não acorda para ir ao banheiro. Hoje ela usa calcinhas absorventes, e eu a levo ao banheiro às onze e meia da noite. A vida mudou. Mas aquela manhã nunca saiu da minha memória. Naquele dia, mais do que abandonar uma fralda, Laura conquistou uma parte da sua dignidade.
Lu Ar
Enviado por Lu Ar em 21/07/2026
Alterado em 22/07/2026 Comentários
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