Lu Ar

Sentimentos e poesias

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MEU PRIMEIRO AMOR

A primeira vez que o vi foi quando fui ao açougue com minha prima. Ele era o açougueiro. Jovem, alegre, simpático e bonito.

Daquele dia em diante, eu fazia questão de ir comprar pão na padaria, porque assim passava em frente ao açougue. Ele me via, abanava para mim e meu coração se enchia de felicidade.

Um dia descobri que ele era amigo do meu irmão. Chamava-se Irlan e tinha vinte e três anos. Eu tinha apenas quatorze.

Convidou meu irmão para assistir a um filme em série na casa dele e pediu que levasse as irmãs também, porque nós não tínhamos televisão.

Éramos quatro irmãos.

Ele arrumava as cadeiras de um jeito que a minha sempre ficava ao lado da dele.

E ficávamos apenas nos olhando na penumbra.

Depois contou ao meu irmão que gostava de mim. Ouvi a conversa por acaso. Eles estavam na cozinha e eu, na sala.

Quase morri de vergonha.

Era a primeira vez que um rapaz dizia gostar de mim.

Eu ainda brincava com minhas bonecas de papel.

Nem minha mãe, nem meu irmão tocaram no assunto comigo.

A lembrança mais bonita daquela época aconteceu numa tarde.

Eu estava na janela do quarto olhando a rua quando ele passou.

Ao me ver, fez sinal para que eu fosse até o portão.

Mas eu tinha vergonha demais para chegar perto dele.

Na cerca da nossa casa havia um roseiral cheio de pequenas rosas cor-de-rosa.

Como percebeu que eu não iria, ele arrancou uma delas, beijou-a e a lançou em direção à minha janela.

A rosa passou por cima da cerca e caiu no pátio.

Mais uma vez, a vergonha venceu.

Não consegui sair.

Nem dizer uma palavra.

Sorri, como sempre fazia.

Ele foi embora.

Só então corri para apanhar a rosa.

Guardei-a dentro de um livro.

Ela ficou ali por muito tempo.

Secou.

Ficou marrom.

Mas, para mim, continuava guardando aquele beijo.

Hoje, tantos anos depois, às vezes ainda me pergunto o que ele queria me dizer naquele dia.

Nunca vou saber.

Foi meu primeiro amor.

 

Lu Ar
Enviado por Lu Ar em 03/03/2019
Alterado em 31/07/2026


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