Lu Ar

Sentimentos e poesias

Textos


Tantas mulheres

Tantas mulheres habitam em mim que, às vezes, já não sei exatamente quem sou.

Há a Tímida, que conheço desde meu primeiro dia de aula, aos sete anos de idade. Ela nasceu no primeiro grito da professora. Depois disso, tomou conta de mim nos piores momentos e, quase sempre, só atrapalhava. Com o passar dos anos, aprendi a escondê-la. Hoje a mantenho trancada. Só aparece quando, por descuido, deixo a porta entreaberta.

Há também a Menina, que vive solta e surge quando bem entende. Não tenho controle sobre ela. Quando estou tranquila e em paz, ela reina absoluta. Ri, faz piadas, brinca e transforma tudo e todos ao seu redor. Às vezes aparece até no tom da minha voz, confundindo quem não me conhece quando falo ao telefone.

Quando o destino resolve me pôr à prova, surge uma mulher que eu mesma mal conheço. É a Corajosa. Ela assume o comando da situação enquanto eu observo, assustada, do fundo do meu ser, torcendo para que tudo dê certo.

A Brincalhona aparece de vez em quando e, por vezes, se confunde com a Menina. Era presença constante quando eu dava aulas para os pequeninos. Eles apontavam para mim e diziam aos pais:

— Eu quero aquela professora que brinca!

Mas a Brincalhona sempre soube dividir espaço com a Profissional.

A Profissional talvez seja a que mais me surpreende. É como se eu sofresse uma transformação. Como se vestisse uma fantasia e...

Tcharam!

Lá estou eu: decidida, segura e competente.

A Poeta prefere o silêncio. Surge na solidão e não escolhe lugar nem hora. É observadora, sensível e tem a mente povoada de ideias, perguntas sem respostas e respostas que mudam com o tempo.

A Mãe está sempre presente, mesmo quando ninguém a chama. Muitas vezes precisa da ajuda de todas as outras... com exceção da Tímida.

Essa nunca combinou com a maternidade.

Nas horas que sobram, aparece a Amante: carinhosa, apaixonada e capaz de enxergar beleza até nas pequenas coisas.

Eu sou todas elas.

E tenho certeza de que existem muitas outras, ainda desconhecidas, esperando apenas o momento certo para se apresentarem.

 

Lu Ar
Enviado por Lu Ar em 12/12/2011
Alterado em 03/08/2026


Comentários

Tela de Claude Monet
Site do Escritor criado por Recanto das Letras