

O PAPEL DE AREIA Meu sobrinho Vinícius tinha seis anos e estava prestes a começar o primeiro ano. Faltava apenas uma semana para o início das aulas quando fui visitá-lo. A faxineira avisou: — O Vinícius está lá em cima chorando. Diz que não quer ir à escola. Subi preocupada. Encontrei-o deitado de bruços na cama. Perguntei: — Mas por que não queres ir? Sem me olhar, respondeu: — Porque eu não sei ler. Sorri. — Mas é justamente por isso que existe o primeiro ano. Quando eu fui para a escola, também não sabia ler. A professora me ensinou. Ele levantou a cabeça e perguntou, cheio de esperança: — Tia, tu me ensina a ler antes de eu ir para a escola? Prometi que brincaríamos um pouco com as letras durante aquela semana. Foi o suficiente. Num instante ele já estava lá fora, correndo com os amigos, completamente esquecido do primeiro drama escolar. Brincamos de sílabas, palavras e letras. Percebi que ainda estava na fase pré-alfabética. Dias depois, fomos todos à praia. Ao sair da água, Vinícius olhou para aquela imensidão de areia molhada. Pegou uma conchinha, abaixou-se e disse: — Olha, tia... esta praia é como se fosse um imenso papel. Tu podes me ensinar a ler aqui mesmo! E começou a desenhar letras na areia. Passamos um bom tempo escrevendo naquele enorme papel que a natureza nos ofereceu. Um papel que só uma criança poderia enxergar. Aprendi. Foi fácil!". Vinícius olhou pra mim e pediu: " Tia, me ensina a ler? Quero aprender antes de ir á escola!". Sem querer magoa-lo prometi que daria algumas aulas naquela semana. Ele ficou entusiasmado. Num segundo estava na rua brincando com os coleguinhas, esquecido do seu primeiro drama escolar! Lu Ar
Enviado por Lu Ar em 29/03/2010
Alterado em 01/08/2026 Comentários
|